O trabalho da perícia criminal no Paraná ganhou um reforço importante com a atuação de um aliado pouco convencional, mas altamente eficiente. Trata-se de Raman, um cão da raça pastor-belga treinado para identificar vestígios mínimos de sangue em cenas de crime. Ele é o segundo animal no Brasil preparado para esse tipo de atividade e já apresenta resultados expressivos.
Desde que passou a atuar, Raman esteve presente em 11 locais de crime e teve participação positiva em todos os casos. O trabalho do animal tem sido fundamental principalmente em cenários complexos, onde a identificação visual dos vestígios se torna difícil ou até inviável.
De acordo com a perita oficial da Polícia Científica do Paraná (PCIPR), Viviane Zibe, o diferencial do cão está na capacidade de varredura em áreas extensas ou com pouca visibilidade. Em ambientes grandes, com manchas pequenas, escondidas ou até mesmo já limpas, o faro do animal se torna decisivo para orientar o trabalho técnico.
Na prática, Raman atua como um direcionador da perícia. Ao indicar um ponto específico, o perito realiza a análise com técnicas complementares, como aplicação de reagentes ou coleta de materiais para exames laboratoriais. Quando necessário, itens como roupas ou armas são recolhidos e encaminhados para confirmação em laboratório de genética.
O uso do cão ocorre a partir de solicitação da Polícia Civil ao perito responsável pelo local, especialmente em situações consideradas mais complexas. Nessas circunstâncias, o apoio do animal contribui para aumentar a precisão e a eficiência das buscas.
Os resultados obtidos até agora reforçam a confiabilidade do trabalho. Em quatro veículos analisados, Raman identificou corretamente a presença de sangue em um deles, posteriormente confirmada, e não indicou vestígios nos outros três, onde nada foi encontrado. Em residências, o desempenho também foi consistente: em cinco imóveis, apontou sangue em quatro — todos confirmados — e não sinalizou no único local onde não havia vestígios.
Um dos casos que evidenciam a importância do trabalho ocorreu em uma área de mata extensa e com vegetação densa. Nesse cenário, a busca visual seria limitada, mas o cão conseguiu identificar o rastro. Ele marcou a presença de sangue em um sofá fora da casa e, seguindo o odor, levou a equipe até roupas da vítima em um ponto distante. O material foi coletado e teve a presença de sangue confirmada em análise laboratorial.
O desempenho de Raman é resultado de um processo contínuo de treinamento, iniciado em 2023. O preparo começou com etapas de obediência e adaptação, evoluindo para a identificação do odor de sangue. Ao longo do tempo, o cão foi exposto a diferentes estímulos e cenários, até alcançar o nível atual de atuação em ambientes variados e com vestígios ocultos.
O treinamento segue em constante aperfeiçoamento, acompanhando as demandas e a complexidade das ocorrências atendidas pela perícia no estado. A atuação do cão reforça o uso de métodos complementares na investigação criminal, contribuindo para a precisão dos laudos e para o avanço das apurações.



