O importante álbum da família Kracik registra a retomada democrática da Câmara Municipal de Curitiba após 10 anos sem eleições durante o Estado Novo
Na última terça-feira, a Câmara Municipal de Curitiba (CMC) recebeu um valioso documento histórico da família Kracik, um álbum produzido em 1948 que resgata os nomes e imagens dos 20 vereadores eleitos em 1947, marcando a primeira legislatura local após a ditadura do Estado Novo.
O acervo, que esteve preservado por 78 anos por Regina Kracik Teixeira, neta do primeiro presidente da CMC e prefeito interino João Kracik Netto, relembra o momento em que a Casa Legislativa retomou suas funções, após uma década sem eleições e sob o período autoritário da Era Vargas.
Conforme informação divulgada pela Câmara Municipal de Curitiba, o álbum não apenas documenta uma nova fase pública, mas também simboliza o reinício do compromisso democrático da cidade, além de estar disponível para consulta na seção Nossa Memória do site oficial da Câmara.
Retomada da democracia e os desafios da 1ª legislatura pós-Estado Novo
A eleição de 1947 representou a reabertura da Câmara Municipal de Curitiba, conciliando a necessidade de reconquistar a confiança popular com a instabilidade política do país. O vereador João Kracik Netto foi eleito para presidir a CMC e assumir interinamente a Prefeitura da capital paranaense, que estava sem prefeito diante da ausência de nomeação pelo governador Moysés Lupion.
Naquele cenário complexo, os vereadores enfrentaram intensos desafios para legitimar o Legislativo. Houve resistência às interferências da Assembleia Legislativa e embates para garantir transparência na gestão pública, especialmente com o prefeito nomeado Ney Leprevost, marcando o início do fortalecimento da Câmara como órgão independente e fiscalizador do Executivo.
Legado histórico de João Kracik Netto e avanços para Curitiba
Além de consolidar a estrutura administrativa do Legislativo local, implantando o Regimento Interno, João Kracik Netto teve papel decisivo na modernização legal e urbana da cidade. A Câmara revisou o IPTU, atualizou regras comerciais e apoiou a urbanização do Centro Cívico, alinhada ao Plano Agache. Foi também um momento histórico pela ampliação da representatividade social como a posse da primeira vereadora Maria Olympia Mochel e do primeiro vereador autodeclarado negro, Antenor Pamphillo dos Santos.
Depois do mandato, Kracik assumiu cargos no empresariado e no sindicalismo, mas seu principal legado foi a criação de uma base sólida para a participação popular na política municipal.
Importância da preservação da memória política para Curitiba
Durante a entrega do álbum, a neta do ex-presidente da Câmara, Regina Kracik Teixeira, destacou o papel fundamental do estudo histórico para compreender e superar os desafios atuais do município. Ela ressaltou que “é preciso conhecer o passado para entender o presente e, assim, visualizar o futuro que queremos”.
A vereadora Rafaela Lupion, bisneta do ex-governador Moysés Lupion, também presente ao evento, enfatizou que preservar a história das lideranças políticas é fundamental para consolidar a identidade coletiva da população e reconhecer o trabalho daqueles que contribuíram para o desenvolvimento da cidade.
O álbum histórico da família Kracik agora integra oficialmente o Acervo Histórico da Câmara Municipal de Curitiba, consolidando-se como uma fonte valiosa para futuras pesquisas e para o fortalecimento da memória democrática curitibana.

