Câmara de Curitiba propõe retirada gradual dos abrigos de população em situação de rua do Centro para regiões rurais visando segurança pública

Câmara de Curitiba estuda transferir abrigos para regiões rurais como estratégia de segurança e reordenamento social para pessoas em situação de rua

A Câmara Municipal de Curitiba avalia uma proposta que pode mudar o formato de atendimento da população em situação de rua na cidade. A iniciativa propõe a retirada gradual dos abrigos localizados na Região Central de Curitiba e sua transferência para áreas rurais, com possibilidade de convênios com municípios vizinhos se necessário.

O projeto, protocolado pelo vereador Da Costa (Pode), surge como um substitutivo geral à Política de Reintegração, Interdição, Trabalho e Assistencialismo Limitado, apresentada originalmente em março de 2025. A medida visa reorganizar o atendimento social com atenção à segurança pública e promover um reordenamento territorial dos pontos de acolhimento.

Conforme informação divulgada pela Câmara Municipal de Curitiba, o substitutivo amplia e sistematiza os critérios para a população em situação de rua, promovendo triagem em seis grupos e definindo encaminhamentos específicos, além de incluir a retirada dos abrigos do Centro no artigo 10 da proposta.

Triagem e atendimento personalizado para realidade social complexa

O substitutivo propõe que toda pessoa atendida passe por um processo de triagem que classifica o indivíduo em grupos como órfãos, reabilitação, interdição, naturalidade, desemprego por opção e trabalho. A partir dessa categorização, a política prevê encaminhamentos diferenciados.

Quem optar pela reabilitação teria acolhimento imediato, enquanto pessoas com debilidade mental grave ou dependência química podem ser submetidas à interdição judicial, mediante laudo médico e decisão judicial. Para quem deseja retornar à cidade natal, está previsto transporte.

A proposta busca também limitar medidas assistenciais em situações específicas e estimular o acesso ao emprego, assegurando prioridade em programas habitacionais para os participantes.

Reordenamento territorial e segurança pública como foco da proposta

O vereador Da Costa defende que o reordenamento territorial tem o objetivo de enfrentar os desafios gerados pela concentração de vulnerabilidade no centro da cidade. A justificativa destaca que a aglomeração de abrigos na região central pode gerar um polo de atração explorado pelo tráfico de drogas.

Segundo o texto, o afastamento gradual dos abrigos da área central pode funcionar como um mecanismo para desarticular o tráfico, dificultando a formação de ‘cracolândias’ permanentes no coração urbano.

Garantias legais e respeito aos direitos da população vulnerável

O substitutivo esclarece que o projeto não altera a estrutura interna da administração municipal, nem cria cargos, limitando-se a estabelecer diretrizes para o enfrentamento da questão social. Reforça também que não prevê remoção ou transporte compulsório, nem recolhimento forçado de pertences, conforme alinhamento com a ADPF 976 do Supremo Tribunal Federal.

Além disso, o texto detalha mecanismos legais para atendimentos específicos, como internação compulsória somente após alternativas voluntárias e decisão judicial.

Próximos passos na tramitação e impacto esperado

Com a inclusão do artigo que trata da retirada dos abrigos do Centro, o substitutivo segue em discussão na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Municipal. Caso aprovado, a lei entraria em vigor trinta dias após sua publicação, permitindo a reorganização progressiva dos serviços.

A expectativa é que a nova política contribuía para um atendimento mais eficaz e humanizado da população em situação de rua, ao mesmo tempo em que promove maior segurança e qualidade de vida na Região Central de Curitiba.

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