Câmara de Curitiba debate fim da escala 6×1 após relatos de exaustão de trabalhadores

Fotos: Carlos Costa/CMC

A audiência pública realizada na noite de 6 de abril, no auditório da Câmara Municipal de Curitiba, reuniu representantes políticos, entidades e a sociedade civil para discutir o fim da escala 6×1. Ao final do encontro, foram definidos encaminhamentos para dar continuidade ao debate na capital, incluindo a coleta de assinaturas para uma moção e a elaboração de um relatório com denúncias trabalhistas a ser enviado ao Ministério Público do Trabalho.

Proposta por parlamentares de diferentes partidos, a audiência contou com a participação de representantes sindicais, juristas, estudantes e integrantes de movimentos sociais. Durante o evento, também foi mencionada a articulação de uma frente parlamentar sobre o tema no Legislativo municipal.

Na abertura, a vereadora Giorgia Prates destacou que a discussão ultrapassa a organização da jornada de trabalho, abordando diretamente as condições de vida. Ao longo das falas, foram apontadas relações entre a escala 6×1 e questões como adoecimento mental, estresse, ansiedade, burnout e acidentes de trabalho. Também houve menção às desigualdades de impacto, especialmente entre mulheres que acumulam atividades profissionais e responsabilidades domésticas.

Outros vereadores presentes relacionaram o tema a direitos sociais mais amplos, como lazer, uso dos espaços públicos e convivência familiar. Dados citados durante o encontro indicam que a escala 6×1 atinge uma parcela significativa dos trabalhadores no país, com milhões de pessoas submetidas a jornadas de 44 horas semanais ou mais. Também foi ressaltado que o avanço da pauta no Congresso dependeria de mobilização social.

Representantes de instituições e especialistas defenderam a redução da jornada semanal sem diminuição salarial. O procurador do trabalho no Paraná, Fabrício Oliveira, afirmou que a duração da jornada está diretamente ligada à saúde dos trabalhadores, associando cargas extensas a adoecimento e acidentes. Já o supervisor técnico do Dieese no estado, Sandro Silva, ponderou que o debate não deve se limitar ao fim da escala 6×1, alertando para a possibilidade de concentração de carga horária em menos dias caso a jornada semanal seja mantida.

Entidades ligadas ao direito do trabalho também participaram da discussão. A professora Maíra Fonseca destacou que os limites da jornada são resultado de processos históricos e políticos, enquanto representantes da advocacia trabalhista e da OAB Paraná ressaltaram princípios constitucionais e a necessidade de estudos técnicos sobre os impactos da proposta.

Sindicalistas relataram situações de exaustão em diferentes setores. Representantes do setor bancário, do comércio e de centrais sindicais citaram rotinas intensas, pressão por metas e dificuldades de fiscalização. Também foram mencionados casos de trabalhadores que acumulam longos períodos consecutivos de trabalho até a folga, além de relatos de afastamentos por exaustão.

Nos pronunciamentos do público, estudantes e integrantes de movimentos sociais associaram a escala 6×1 à evasão universitária, à precarização de estágios e às dificuldades de permanência acadêmica. Também foram relatadas experiências pessoais envolvendo longas jornadas, deslocamentos extensos e impacto na vida familiar.

Ao final, a audiência consolidou encaminhamentos que buscam ampliar o debate sobre a jornada de trabalho em Curitiba, reunindo contribuições de diferentes setores e apontando para novas discussões no âmbito institucional e social.

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