Venda direta de terreno público no bairro Campo Comprido é aprovada em primeiro turno na Câmara de Curitiba, gerando questionamentos sobre preservação ambiental e uso do espaço
A Câmara Municipal de Curitiba aprovou em primeiro turno a venda de um terreno público localizado no bairro Campo Comprido à empresa Haas do Brasil Indústria de Máquinas, subsidiária do grupo suíço Buhler. O lote, com pouco mais de 400 m², foi precificado em R$ 390 mil e sua destinação tem gerado debate entre vereadores da base governista e oposição.
A Prefeitura justifica a venda apontando que o terreno, isolado, não possui viabilidade para implantação de equipamentos sociais, e com a unificação obrigatória do imóvel ao lotado pela compradora, passaria a exercer função social e garantir arrecadação via IPTU. Porém, representantes da oposição pedem mais informações sobre o estado ambiental do local, especialmente em relação às árvores existentes.
Conforme divulgado pela Câmara Municipal de Curitiba, a votação em segundo turno está prevista para breve e pode trazer novos detalhes quanto à transação imobiliária.
Aprovação do primeiro turno com ampla maioria e justificativas do governo
A venda do lote de 404,98 m², situado no Campo Comprido, foi aprovada com 25 votos favoráveis, 4 abstenções e apenas um voto contrário. A Comissão de Avaliação de Imóveis da Secretaria Municipal de Administração avaliou o terreno em R$ 390 mil. A Prefeitura defende a alienação alegando que a área, sozinha, não é adequada para implantação de equipamento social e poderia permanecer como um “lote isolado”. Serginho do Posto, líder do governo na Câmara, explicou que, “geograficamente falando”, o terreno apresenta dificuldades para utilização pública.
Com a incorporação do lote ao imóvel vizinho da empresa Haas do Brasil, o município destaca que o terreno passa a exercer função social, deixando de ser inutilizado, e ainda gera receita imediata e recorrente via imposto municipal.
Questionamentos da oposição sobre preservação das árvores no terreno
Cotada para abster-se da votação, a líder da oposição Camilla Gonda (PSB) manifestou sua insatisfação por falta de dados sobre as árvores existentes na área. Ela destacou que o grupo não recebeu informações específicas, como a quantidade e tipos das árvores, incluindo a possibilidade de haver araucárias, espécie de importante valor ambiental na região.
A vereadora também questionou a mudança no parecer sobre o terreno, que inicialmente poderia ser destinado a unidade de conservação, e teve seu laudo alterado para permitir a alienação. Para Gonda, “Trazer a questão das árvores, das espécies, seria importante para que a gente pudesse bater o martelo na definição do nosso voto”. O líder do governo se comprometeu a disponibilizar essas informações antes da votação em segundo turno.
Perspectivas para a votação final e impactos na cidade
O desfecho da venda depende do resultado do segundo turno da votação, agendado para ocorrer em breve. Caso confirmada a autorização, a Prefeitura poderá utilizar os recursos provenientes da alienação para ações previstas na Lei Orçamentária Anual, reforçando investimentos municipais.
O debate na Câmara reflete a importância da transparência em processos que envolvem áreas públicas e a necessidade de conciliar o desenvolvimento econômico com a preservação ambiental, principalmente em bairros como o Campo Comprido, que possui áreas verdes significativas.
Fica a expectativa para que os próximos esclarecimentos solicitados sejam atendidos e, assim, a sessão decisiva conte com todas as informações para uma decisão consciente e responsável.
(Notícia revisada pelo estudante de Letras Gabriel Kummer. Supervisão do estágio: Ricardo Marques. Reprodução autorizada mediante citação da Câmara Municipal de Curitiba)

