Curitiba institui Semana de Ações no Campo da Síndrome de Down para promover respeito, inclusão e igualdade de oportunidades
Em votação unânime nesta segunda-feira (23), a Câmara Municipal de Curitiba aprovou em primeiro turno a criação da Semana da Síndrome de Down, ação anual que ocorrerá em março, perto do Dia Internacional da Síndrome de Down, celebrado em 21 de março.
O projeto de lei, de autoria do vereador Pier Petruzziello (PP), visa ampliar a conscientização e o respeito às pessoas com a síndrome, oferecendo palestras, campanhas, eventos culturais e capacitação profissional. A medida busca romper barreiras culturais e sociais ainda vigentes no município.
Antes da aprovação, depoimentos emocionados dos jovens Pedro Vinícius e Manuele Manzoli, representantes da Reviver Down, evidenciaram o pedido por uma inclusão que vá além da presença formal, enfatizando o reconhecimento da individualidade e das capacidades dessas pessoas, conforme informações divulgadas pela Câmara Municipal de Curitiba.
Jovens com Síndrome de Down pedem respeito e oportunidades reais
Pedro Vinícius destacou que a inclusão verdadeira acontece quando são ofertadas oportunidades concretas e o respeito é praticado na escola, no trabalho e nos espaços públicos.
“Eu quero que me vejam além do meu diagnóstico. Eu sou uma pessoa com sonhos, sentimentos, talentos e muitas capacidades”, afirmou Pedro, ressaltando que o preconceito ainda nasce da baixa expectativa e julgamento precipitado de incapacidade.
Manuele Manzoli reforçou seu pedido de reconhecimento dizendo que não é doente e que nasceu com a síndrome, por isso deseja ser respeitada “na escola e em qualquer lugar”. Ela ressaltou que ninguém pode mudar quem ela é, um sentimento que marcou profundamente o debate.
Projeto prevê ações contínuas para conscientização e inclusão na cidade
O projeto lista várias atividades para a nova semana, tais como palestras em escolas e universidades, campanhas de divulgação dos direitos das pessoas com Síndrome de Down, eventos culturais e esportivos, além da capacitação de profissionais da saúde, educação e assistência social.
O vereador Pier Petruzziello afirmou que o objetivo é promover a mobilização pública para enfrentar o preconceito e substituir a piedade por oportunidades de participação efetiva na sociedade. Segundo ele, “o maior obstáculo ainda é o cultural”.
O projeto também busca ampliar a visibilidade dos desafios enfrentados por essas pessoas e suas famílias, incentivando a acessibilidade, a educação inclusiva e a igualdade de oportunidades, em continuidade à lei municipal 16.150/2023, também de sua autoria.
Apoio unânime dos vereadores reforça compromisso com dignidade e inclusão
Durante os debates, diversos vereadores destacaram a importância da conscientização para combater o preconceito e a desinformação. Renan Ceschin ressaltou que a Síndrome de Down nunca foi o problema, mas sim o olhar social dirigido a essas pessoas e suas famílias.
Meri Martins reforçou a frase “Eu sou assim” de Manuele para enfatizar o combate ao estigma e às agressões, inclusive nas redes sociais. Outros parlamentares, como Serginho do Posto, Toninho da Farmácia e Rafaela Lupion, assinalaram que, apesar de direitos já existentes, ainda é necessário ampliar o acesso e eliminar barreiras cotidianas.
João da 5 Irmãos resumiu as falas dos jovens como um pedido de respeito e oportunidade sem coitadismo, enquanto Tiago Zeglin usou a imagem da inclusão como “um ambiente onde todo mundo brinca junto, aprende junto e ninguém fica de fora” para explicar o sentido da aprovação.
Próximos passos para a consolidação da semana no calendário oficial
A emenda aprovada junto ao projeto retirou o artigo que autorizava o Poder Executivo a apoiar as ações previstas, por se tratar de dispositivo apenas autorizativo, sem alterar o conteúdo central da proposta.
Após a aprovação em segundo turno e sanção, Curitiba terá oficialmente uma semana dedicada à conscientização, promoção da acessibilidade e combate à discriminação contra pessoas com Síndrome de Down.
Essa iniciativa deve fomentar o diálogo permanente sobre inclusão, capacitação e respeito, garantindo que pessoas com a síndrome conquistem seu espaço pleno na sociedade, conforme refletido nos depoimentos emocionados e no compromisso dos vereadores.



