Cada vez mais jovens saem de casa aos 17 anos para estudar

XV Curitiba

Até pouco tempo atrás, sair da casa dos pais marcava a entrada definitiva na vida adulta, frequentemente associada ao casamento. Hoje, esse rito de passagem tem sido antecipado. Cada vez mais jovens deixam a casa da família aos 17 ou 18 anos para estudar em outra cidade, impulsionados por cursos de graduação cada vez mais especializados.

“Essa saída mais precoce concentra muitas transições ao mesmo tempo: acadêmica, emocional e prática”, afirma a psicóloga Rozane Fialho, CEO da Rede Psicoterapia. “O jovem precisa lidar com autonomia, gestão do tempo e construção de vínculos em um curto espaço de tempo”, aponta.

A mudança de cidade também reposiciona decisões que antes eram secundárias na vida universitária. Se antes a moradia era definida por fatores como custo ou proximidade da universidade, hoje segurança e estrutura passaram a pesar mais na escolha, com impacto direto na adaptação e no desempenho ao longo da graduação.

“Existe uma preocupação maior com o ambiente em que esse jovem vai estar inserido. Não é só sobre ter um lugar para dormir, mas sobre conseguir se adaptar, criar vínculos e manter uma rotina minimamente organizada”, diz Juliana Onias, gerente regional de operações da Share Student Living, empresa especializada em moradia estudantil.

Para muitos estudantes, um dos principais desafios ao mudar de cidade é reconstruir a rede social. Nesse contexto, morar com pessoas na mesma faixa etária e vivendo experiências semelhantes pode facilitar a adaptação. “Ambientes em que há convivência entre jovens na mesma fase tendem a acelerar a criação de vínculos. Isso pode reduzir a sensação de isolamento, que é comum nos primeiros meses”, diz a psicóloga.

Segundo Onias, essa convivência se reflete também na rotina acadêmica. “É comum que os próprios estudantes se organizem em grupos de estudo e criem uma dinâmica de apoio no dia a dia”, conta. Além disso, em modelos mais estruturados de moradia, com gestão profissional e regras de convivência definidas, há maior previsibilidade na rotina e no ambiente, o que contribui para reduzir inseguranças comuns nesse período de transição.

“O jovem está experimentando autonomia, mas isso não significa ausência de estrutura. Quando existe um ambiente organizado, com suporte e convivência entre estudantes, essa independência acontece de forma mais equilibrada”, complementa.

Compartilhe o artigo