Um tratamento experimental desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) está associado à recuperação funcional de um paciente que sofreu lesão medular cervical considerada completa após um acidente automobilístico. O caso envolve o bancário paulista Bruno Drummond de Freitas, de 31 anos, que voltou a caminhar anos depois da colisão registrada em abril de 2018.
O acidente ocorreu durante uma viagem em família entre São Paulo e Teresópolis. Freitas dormia no banco traseiro do carro, sem cinto de segurança, quando houve a batida. A lesão na região cervical comprometeu a comunicação entre o cérebro e o restante do corpo, quadro que costuma resultar em perda significativa de movimentos.
Segundo relatos médicos, cerca de duas semanas após o acidente foi observado o primeiro sinal de resposta neurológica: o movimento do dedão do pé. Ao longo dos meses seguintes, houve evolução progressiva das funções motoras. Atualmente, o paciente consegue caminhar sem auxílio e, em registros recentes, aparece empurrando uma cadeira de rodas.
A recuperação está associada à aplicação da polilaminina, substância desenvolvida ao longo de mais de 20 anos por pesquisadores da UFRJ, sob liderança da cientista Tatiana Coelho de Sampaio. A polilaminina é uma versão sintética da laminina, proteína produzida naturalmente pelo organismo, sobretudo durante a formação do sistema nervoso no período embrionário. A proposta do fármaco é estimular a regeneração de conexões nervosas rompidas após lesões na medula espinhal.
No caso de Freitas, o medicamento foi aplicado 24 horas após o acidente, durante cirurgia realizada no Hospital Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. O procedimento incluiu a fixação de suportes de titânio na base do pescoço, onde houve compressão medular, e também na região abaixo das escápulas, devido a uma fratura vertebral.
A polilaminina ainda não possui aprovação para uso clínico regular. O laboratório Cristália, responsável pela produção do composto, mantém tratativas com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar a primeira das quatro fases de testes clínicos em humanos, etapa voltada à avaliação de segurança.
O caso é acompanhado como exemplo dos possíveis avanços no campo da regeneração nervosa, mas especialistas reforçam que o medicamento segue em fase experimental e dependerá das etapas regulatórias para que sua eficácia e segurança sejam confirmadas em estudos controlados.
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