Audiência Pública no Paraná Destaca Urgência em Tratar Saúde Mental de Profissionais da Segurança Pública

Saúde mental de profissionais da segurança pública no Paraná é alvo de debates intensos em audiência pública que ressalta a urgência de políticas eficazes para o setor

A saúde mental dos profissionais da segurança pública no Paraná sofreu forte atenção durante audiência pública realizada na Assembleia Legislativa do Estado. O evento, promovido pelo deputado Tito Barichello (União), destacou a preocupante situação nacional do tema, trazendo dados alarmantes e reivindicações de representantes das forças de segurança e sindicatos.

Além de expor números preocupantes, a reunião propôs um olhar mais preventivo para os problemas psicológicos enfrentados por policiais, vigilantes e agentes penais, reforçando a necessidade de apoio contínuo. Ao longo da tarde, especialistas evidenciaram que a sobrecarga de trabalho e a falta de estrutura impactam diretamente na qualidade de vida desses profissionais.

Conforme informação divulgada pela Assembleia Legislativa do Paraná, dados como um caso de suicídio de policial a cada três dias no Brasil e a queda na expectativa de vida dos policiais para cerca de 62 anos evidenciam a gravidade da situação e a urgência de medidas eficazes.

Dados alarmantes e o impacto na vida dos profissionais

Durante a audiência, o deputado Tito Barichello enfatizou que o problema não se limita ao estado, mas é uma crise nacional. Ele ressaltou que “muitas vezes, é mais provável que um policial tire a própria vida do que morra em confronto”, ressaltando o sofrimento mental enfrentado pelos agentes.

Mário César Monteiro, diretor do Sindicato dos Servidores da Socioeducação do Paraná (Sindesc), destacou que mais de 40% dos servidores policiais apresentam algum transtorno mental, mais que o dobro da média nacional que é de 20%. Ele também chamou atenção para a expectativa de vida reduzida da categoria, uma média de 62 anos, contra 73 a 75 anos para a população geral.

Além disso, Mário criticou a falta de aplicação efetiva das legislações direcionadas à saúde mental desses profissionais, afirmando que “diversas legislações foram aprovadas, mas não saíram do papel”.

Fatores que contribuem para o adoecimento e propostas emergentes

Dentre as causas apontadas estão a sobrecarga de trabalho, insuficiência de efetivo e condições de trabalho que deterioram a saúde física e mental dos policiais. Valquíria Gil Tisque, presidente do Sindicato das Classes Policiais Civis do Paraná, frisou que “a demanda só cresce, mas o número de profissionais não acompanha”, aumentando o adoecimento.

O policial penal Cristiano da Luz, do Sindarspen, frisou a necessidade urgente de políticas públicas focadas na prevenção e no suporte psicológico, inclusive propondo a revisão das regras de aposentadoria para adequar o tempo de serviço às condições de risco da profissão e a criação de uma rede de atendimento em saúde mental com acesso facilitado aos profissionais.

Já a psicóloga Jéssica Tonioti, do Conselho Regional de Psicologia, alertou para os quadros mais comuns como ansiedade, depressão e estresse pós-traumático, que podem evoluir para situações graves e associadas à ideação suicida, ressaltando a importância de um acompanhamento preventivo e contínuo.

Impactos também abrangem segurança privada e questões estruturais

O debate também abordou a segurança privada, com o diretor do Sindicato dos Vigilantes de Curitiba, Elizeu Ruivo, destacando que os vigilantes figuram em nono lugar na lista de afastamento do INSS por problemas de saúde mental. No Paraná, mais de 24 mil trabalhadores das áreas pública e privada estão afastados por causas relacionadas.

Além disso, representantes da Associação de Defesa dos Direitos dos Policiais e Bombeiros Militares e do Sindicato dos Delegados enfatizaram a necessidade de pensar a saúde dos policiais de forma integral, envolvendo aspectos físicos, mentais e protocolos de segurança para eles e suas famílias.

O evento reuniu ainda diversas entidades, com a participação da vereadora de Curitiba Tathiana Guzella, e reforçou a importância da Lei 14.531/2023, que incluiu a saúde mental entre as políticas públicas de segurança, fortalecendo a reivindicação para que essas medidas sejam efetivamente implantadas.

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