Arlete Caramês, Símbolo da Luta contra Desaparecimento de Crianças no Paraná, Morre aos 82 Anos

Assembleia Legislativa do Paraná expressa profunda tristeza pela perda da ex-deputada Arlete Caramês, uma importante referência na luta por crianças desaparecidas no estado

A morte de Arlete Caramês, ex-deputada estadual e fundadora do Movimento Nacional em Defesa da Criança Desaparecida no Paraná, foi lamentada nesta terça-feira (24) pela Assembleia Legislativa do Paraná. Arlete, que tinha 82 anos, marcou sua trajetória pública pela dedicação incansável à causa das crianças desaparecidas e pelo apoio às famílias em busca de justiça. O trabalho social e político da ex-bancária atravessou diferentes mandatos, deixando um legado relevante na proteção dos direitos dos menores.

Esta mulher, que viu sua vida transformar-se com o desaparecimento do filho Guilherme em 1991, converteu sua dor pessoal em uma luta social que inspirou o Paraná e o Brasil. Sua história de força e mobilização será relembrada por aqueles que conhecem o impacto de suas ações pioneiras e sua atuação no Poder Legislativo estadual. O depoimento do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Alexandre Curi (PSD), destaca a dimensão de sua contribuição para políticas públicas que protegem crianças e adolescentes.

Conforme a informação divulgada pela Assembleia Legislativa do Paraná, Arlete Caramês deixa uma marca permanente na sociedade, em defesa das famílias que ainda esperam por notícias de seus filhos desaparecidos. A seguir, entenda os principais momentos e realizações dessa liderança.

Trajetória marcada pela mobilização e fundação do movimento contra desaparecimentos infantis

Nascida em Porto União, Santa Catarina, Arlete se tornou uma personalidade nacional relevante ao transformar a dor do desaparecimento de seu único filho, Guilherme, aos 8 anos, em uma incansável luta social. Em 1992, fundou o Movimento Nacional da Criança Desaparecida no Paraná (CriDesPar), que atua na prevenção e busca ativa de crianças desaparecidas.

Arlete dedicou-se a uma causa que até hoje sensibiliza milhares de famílias. Sua atuação ajudou a fomentar a criação do Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride), em 1995, órgão essencial para o acompanhamento oficial desses casos no estado. O empenho da ex-deputada contribuiu para fortalecer a mobilização e garantir maior visibilidade a um tema delicado e urgente.

Carreira política pautada na defesa dos direitos das crianças e apoio às famílias

Após a fundação do CriDesPar e seu engajamento social, Arlete Caramês tentou uma candidatura à Câmara dos Deputados em 1998, sem sucesso, mas seguiu atuando politicamente. Em 2000, foi eleita vereadora de Curitiba, conquistando a segunda maior votação da época.

Dois anos depois, em 2002, foi deputada estadual eleita pelo PPS com 22.736 votos. No Parlamento estadual, Arlete focou prioritariamente na defesa das crianças, buscando aprimorar a legislação e ampliar os serviços para as famílias afetadas por desaparecimentos. Chegou a ocupar a 3ª vice-presidência da Casa, demonstrando respeito e reconhecimento de seus pares.

Legado de solidariedade e mobilização social que ultrapassa mandatos

A Assembleia Legislativa do Paraná manifestou solidariedade aos familiares de Arlete Caramês, ressaltando que seu legado representa uma luta permanente pela proteção das crianças e pela esperança de milhares de famílias que aguardam por notícias de seus filhos desaparecidos. A ex-deputada demonstrou que a dor pessoal pode ser canalizada para impulsionar transformações sociais e políticas relevantes.

Seu exemplo é um chamado para a continuidade das ações no combate ao desaparecimento de menores, inspirando entidades públicas e sociedade civil a manterem o compromisso firmado por Arlete em vida. Sua história permanece como símbolo da mobilização social e da defesa ativa dos direitos das crianças no Paraná e no Brasil.

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