A Associação dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos do Paraná (ARFOC-PR) divulgou uma nota pública manifestando preocupação com o regulamento do XVIII Concurso de Fotografia da OAB Paraná. A entidade questiona a decisão de permitir que imagens geradas integralmente por inteligência artificial concorram na mesma categoria das fotografias produzidas por câmeras.
Segundo a ARFOC-PR, embora a inteligência artificial já faça parte da produção artística contemporânea, ela representa uma linguagem distinta da fotografia. Na avaliação da entidade, colocar obras produzidas por IA e fotografias em uma única categoria desvaloriza a identidade da fotografia e enfraquece os critérios de avaliação de um concurso voltado à linguagem fotográfica.
A associação ressalta que a fotografia envolve elementos como autoria, técnica, tempo, contexto e o olhar humano sobre a realidade, características que, segundo a entidade, não podem ser equiparadas às imagens produzidas por algoritmos.
Na nota, a ARFOC-PR afirma que preservar espaços exclusivos para a fotografia é uma forma de valorizar os profissionais da área e proteger o papel da fotografia como registro documental da história, especialmente em um cenário em que ferramentas de inteligência artificial conseguem gerar imagens cada vez mais realistas.
A entidade destaca ainda que não é contrária ao uso da inteligência artificial na produção artística. O posicionamento, segundo a nota, é de que obras criadas por IA tenham categorias próprias de avaliação, respeitando as diferenças entre as linguagens.
O regulamento do concurso da OAB Paraná prevê que fotografias tradicionais, imagens geradas por inteligência artificial e obras híbridas possam disputar as mesmas categorias. Para a ARFOC-PR, essa escolha ignora diferenças fundamentais entre os processos de criação e compromete a valorização da fotografia enquanto expressão artística e documental.
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