Com a inauguração da Ponte de Guaratuba prevista para os próximos dias, o Governo do Paraná já projeta o futuro das áreas atualmente ocupadas pelo sistema de ferry boat. A principal mudança será a implantação de um complexo náutico na região central da cidade, acompanhada de uma ampla revitalização urbana.
A transformação marca o início de uma nova etapa para um dos pontos mais tradicionais do município, que por décadas concentrou a travessia de veículos e passageiros pela baía. Com a substituição do transporte aquaviário pela ligação fixa, o espaço passará a ter uma nova função, voltada ao turismo, lazer e desenvolvimento econômico.
O projeto, desenvolvido há cerca de seis meses pela Secretaria de Estado do Planejamento, prevê a construção de uma estrutura com aproximadamente 12 mil metros quadrados de área construída, em um terreno superior a 30 mil metros quadrados — incluindo o atual canteiro de obras da ponte. A maior parte da área será destinada ao uso público.
Entre os destaques está a marina, que contará com 303 vagas molhadas para embarcações na baía e outras 400 vagas secas. O complexo também terá estacionamento para 208 veículos, além de espaços de convivência, lazer e serviços, como restaurantes, lojas e áreas para eventos.
O investimento estimado é de R$ 100 milhões, com recursos provenientes da iniciativa privada, por meio de concessão do terreno. A empresa vencedora da licitação ficará responsável pela construção, operação e manutenção do espaço por um período de 30 anos.
A licitação será realizada na modalidade de concorrência pública, modelo que, segundo os estudos, pode gerar economia de aproximadamente R$ 20 milhões ao longo do contrato. Após a definição da concessionária, caberá à Secretaria de Infraestrutura e Logística conduzir a fiscalização do contrato.
A expectativa é de que as obras tenham início a partir de 2027, com prazo de execução de até cinco anos, podendo ser antecipado conforme o cronograma da concessionária. Durante a fase de construção, devem ser gerados cerca de 1.425 empregos diretos e indiretos, com impacto estimado de R$ 100 milhões em salários. Já na operação, a projeção é de criação de outros 695 postos de trabalho.
Enquanto a ponte passa a concentrar o fluxo de veículos, a desativação do ferry boat ocorrerá de forma gradual. A estrutura atual será mantida temporariamente para garantir a adaptação da população ao novo sistema de travessia. Após esse período, as áreas serão requalificadas tanto no lado de Guaratuba quanto no acesso por Matinhos.
Além da marina, o projeto prevê a criação de uma orla pública com ciclovia, pista de caminhada, espaço pet e áreas abertas de convivência, integrando a população e visitantes ao novo espaço. Também estão previstos pontos de apoio para serviços essenciais, como o Corpo de Bombeiros, além de acessos para pescadores e possibilidade de uso por instituições como a Marinha.
O projeto segue agora para a fase de consulta pública e audiência com a população, permitindo ajustes antes da versão final. A previsão é de que o edital de concessão seja publicado em outubro de 2026, após etapas como análise jurídica e autorização legislativa.
Para a administração municipal, a iniciativa representa uma oportunidade de requalificar uma área estratégica que deixará de ter sua função original. A expectativa é que o novo complexo contribua para impulsionar o turismo, movimentar o comércio local e fortalecer a economia ao longo de todo o ano, inclusive fora da alta temporada.
Foto: Grade Projetos/Secretaria do Planejamento

