A possibilidade de Deltan Dallagnol surgir como candidato a vice-governador em uma eventual chapa liderada pelo secretário Guto Silva adiciona um novo elemento ao cenário eleitoral do Paraná. Caso o movimento se confirme, o pleito poderá reunir, em campos opostos, personagens que foram parceiros em um dos capítulos mais marcantes da política recente do país.
Durante anos, Deltan Dallagnol e Sergio Moro atuaram de forma integrada na força-tarefa da Operação Lava Jato, tornando-se rostos conhecidos de um período em que o combate à corrupção ocupou o centro do debate nacional. A projeção alcançada por ambos ultrapassou os limites do Judiciário e do Ministério Público, com forte repercussão na opinião pública. Moro, em especial, atingiu um nível de popularidade raro para um magistrado, transformando-se em símbolo de uma agenda que mobilizou apoiadores em todo o país.
No Paraná, Dallagnol mantém interlocução política com o grupo do governador Ratinho Junior há algum tempo e participa de articulações que envolvem o futuro do Estado. Ao mesmo tempo, seu nome aparece com frequência em levantamentos de intenção de voto para o Senado, o que reforça as discussões sobre qual caminho pode ser mais estratégico em 2026.
Nos bastidores, a avaliação é de que uma candidatura a vice-governador em uma chapa encabeçada por Guto Silva teria o peso de integrar um projeto de continuidade administrativa, associado a um governo que registra altos índices de aprovação. Por outro lado, a disputa pelo Senado representaria uma eleição majoritária nacionalizada, com dinâmica própria e concorrência ampliada.
Se confirmada a configuração atual, o Paraná poderá assistir a um confronto inédito entre antigos parceiros da Lava Jato, agora posicionados em projetos políticos distintos. A definição das chapas e das candidaturas, prevista para os próximos meses, deve esclarecer o desenho final da disputa e indicar se a aliança do passado dará lugar a um embate direto nas urnas.

