Alep ouve testemunhas sobre confusão envolvendo Renato Freitas no Centro de Curitiba

Foto: ALEP

O Conselho de Ética da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) realizou, na manhã desta terça-feira (23), a oitiva de testemunhas no processo que apura uma suposta quebra de decoro parlamentar envolvendo o deputado estadual Renato Freitas (PT). A investigação tem como base um episódio de agressão registrado no Centro de Curitiba, em novembro de 2025.

Presidido pelo deputado Delegado Jacovós (PL), o colegiado ouviu três pessoas ligadas ao caso. Entre elas, o manobrista Weslley de Souza Silva, que se envolveu diretamente na confusão com o parlamentar, além de duas testemunhas indicadas pela defesa: Carlos Alberto Ferreira de Souza, assessor de Freitas, e Arleide Cerqueira Xavier Muller, que acompanhava o deputado no momento dos fatos.

De acordo com a representação nº 25804-80.2025, o episódio ocorreu no dia 19 de novembro, quando imagens registradas por celular mostraram a troca de agressões entre Freitas e Silva, nas imediações das ruas Vicente Machado e Visconde do Rio Branco. Posteriormente, gravações de câmeras de segurança ampliaram o registro da ocorrência, incluindo momentos dentro e em frente a um estacionamento da região.

Durante seu depoimento, Weslley afirmou que a situação começou após um desentendimento no trânsito. Segundo ele, ao manobrar um veículo, percebeu a presença do deputado e de uma mulher atrás do carro, parou e aguardou a passagem. No entanto, relatou que, após cruzar a via, houve discussão. Ele afirmou que, ao estacionar, foi surpreendido por agressões. Ainda segundo seu relato, após deixar o local, voltou a encontrar o parlamentar no trânsito, quando ocorreu nova troca de golpes, registrada em vídeo.

Já o assessor Carlos Alberto declarou que não presenciou o início da discussão, mas disse ter ouvido Freitas pedir respeito ao pedestre. Segundo ele, o motorista teria deixado o estacionamento e ido em direção ao deputado, sendo necessário intervir. Ele também relatou um segundo momento, quando o veículo em que estavam parou no semáforo e o homem teria se aproximado novamente, batendo no carro.

A terceira testemunha, Arleide Cerqueira Xavier Muller, prestou depoimento por videoconferência. Ela afirmou que estava com o parlamentar a caminho de um exame médico quando o veículo teria saído de uma garagem de forma brusca. De acordo com seu relato, houve troca de ofensas e, posteriormente, aproximação do motorista, momento em que Freitas teria reagido. Ela também mencionou o reencontro no semáforo, quando o homem teria batido no vidro do carro.

A defesa do deputado solicitou a inclusão integral das imagens de câmeras de segurança do local e do sistema de monitoramento da região no processo. O advogado Edson Vieira Abdala argumenta que os vídeos divulgados até agora estariam editados, o que, segundo ele, comprometeria a análise completa dos acontecimentos. O pedido será avaliado pelo relator do caso, deputado Marcio Pacheco (PP).

As representações que deram origem ao processo foram unificadas e apontam possível violação ao artigo 5º do Código de Ética e Decoro Parlamentar, que trata de ofensas físicas ou vias de fato no exercício do mandato. A denúncia foi apresentada por vereadores e deputados, além de um representante de movimento social.

O processo segue em andamento no Conselho de Ética. A próxima etapa está marcada para o dia 31 de março, às 10h30, quando Renato Freitas deverá apresentar sua defesa e responder aos questionamentos dos parlamentares. Após essa fase, estão previstas as alegações finais, a elaboração do parecer pelo relator e, posteriormente, o julgamento do caso.

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