Acadêmicos da Realeza apresenta no Carnaval de Curitiba um enredo que explora as dualidades da vida inspiradas no yin-yang e na união dos contrastes
A escola de samba Acadêmicos da Realeza, segunda a desfilar pelo grupo especial no sábado, 14 de fevereiro, aposta em uma narrativa visual e musical que valoriza o equilíbrio entre opostos para brigar pelo título do Carnaval de Curitiba. Com cerca de 450 componentes, 12 alas e três carros alegóricos, a agremiação investe em um samba-enredo selecionado em concurso nacional que enfatiza que “Tudo é dois, tudo é um” para traduzir a convivência entre preto e branco, dia e noite, bem e mal. A diretora de harmonia da escola, Bárbara Murden, destaca o caráter leve e reflexivo do desfile que celebra o encontro dos contrastes.
Fundada em março de 1997 e uma das mais tradicionais de Curitiba, a Acadêmicos da Realeza nunca foi rebaixada, colecionando 11 títulos no carnaval local. A escola também se destaca pelo trabalho cultural além dos desfiles, com oficinas e participação em eventos da cidade. Este ano, vê seu enredo como uma forma de mostrar o carnaval como um espaço de transformação, onde as contradições sociais e simbólicas convivem e se complementam, como bem exaltam os versos do samba-enredo.
Conforme informação divulgada pelo g1, o desfile da Acadêmicos da Realeza é embasado no conceito oriental do yin-yang, que simboliza a dualidade e a reciprocidade dos opostos, trazendo uma mensagem de equilíbrio e integração que ressoa com a própria essência do carnaval, onde luxo e simplicidade, profano e sagrado, se misturam em uma grande celebração.
Enredo que traduz a harmonia entre opostos
O samba-enredo “Entre o Preto e o Branco, Tudo é Dois, Tudo é Um” foi elaborado por um grupo de 14 compositores e reforça a ideia de transformação constante e coexistência pacífica. A letra destaca o papel do preto como acolhedor e do branco como iluminador, evocando imagens de reis e rainhas dançando num tabuleiro de xadrez, sutil metáfora do equilíbrio entre forças antagônicas. A música também evidencia que o carnaval é o espaço ideal para essa convivência, sintetizando como “Na avenida, o pobre vira rei, o luxo anda com o lixo e a fantasia permite atravessar mundos”.
Preparação e expectativa da equipe
Nos bastidores, mais de 50 pessoas trabalham para garantir um espetáculo visual que traduza o conceito do enredo. Os carnavalescos são responsáveis por transformar o tema yin-yang em alegorias e fantasias marcantes, enquanto os 450 integrantes da escola reforçam a energia da apresentação na Marechal Deodoro. A diretora de harmonia, Bárbara Murden, ressalta que o objetivo é promover um desfile bonito, alegre, que faça o público refletir e, ao mesmo tempo, celebrar a alegria e a transformação do carnaval.
História e legado da Acadêmicos da Realeza
Batizada pelo renomado sambista Neguinho da Beija-Flor, a Acadêmicos da Realeza mantém uma trajetória de destaque no Carnaval de Curitiba desde sua fundação em 1997. Com 11 títulos no currículo, a escola jamais foi rebaixada, e seus enredos costumam valorizar a memória da cidade, do Paraná e da cultura local. Além do carnaval, a escola atua na formação cultural da comunidade por meio de oficinas e eventos, fortalecendo sua ligação com o samba e as tradições populares da capital paranaense.

