Tradicionalmente marcado por calor intenso e pancadas frequentes de chuva, o mês de janeiro deve manter esse padrão no Paraná em 2026. De acordo com o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), o primeiro mês do ano terá temperaturas e volumes de chuva dentro da média histórica, com a repetição das típicas tempestades de verão, especialmente nos períodos de maior aquecimento ao longo do dia.
Nesse período, há o predomínio de massas de ar quente e úmido sobre o estado, condição que favorece a formação constante de nuvens carregadas. Conforme explica o meteorologista Reinaldo Kneib, a grande quantidade de umidade presente na atmosfera contribui para chuvas mais intensas entre a tarde e a noite. Embora essas tempestades costumem ter curta duração, elas possuem alto potencial de precipitação, o que pode resultar em alagamentos, inundações e, em alguns casos, enxurradas.
Nas áreas de serra, esse processo tende a se intensificar, reflexo da influência do relevo sobre a circulação de ar. Por esse motivo, o Litoral do Paraná costuma registrar chuvas rápidas, porém volumosas, com acumulados que podem chegar a 50 milímetros em poucas horas. Situações semelhantes já foram observadas no fim de dezembro de 2025 e devem se repetir ao longo de janeiro de 2026. Em Guaraqueçaba, por exemplo, a estação meteorológica do Simepar registrou 65,2 milímetros de chuva em um único dia, enquanto em Paranaguá foram medidos 83,6 milímetros no km 10 da BR-277, em registro feito por estação pluviométrica da concessionária responsável pela rodovia.
No interior do estado, o cenário não é muito diferente durante os dias de forte aquecimento. Segundo o Simepar, a energia acumulada na atmosfera favorece a formação de nuvens do tipo cumulonimbus, associadas a eventos mais severos. Além da chuva intensa, essas tempestades costumam vir acompanhadas de rajadas de vento mais fortes, incidência de raios e possibilidade de granizo.
A previsão para janeiro de 2026 também indica ausência de períodos prolongados de estiagem no Paraná. As temperaturas devem seguir elevadas, dentro dos padrões históricos do mês, e a alta umidade do ar tende a aumentar a sensação térmica. Em muitos dias, os valores percebidos pela população podem superar os registrados nos termômetros, provocando a sensação de abafamento, característica comum do verão paranaense.
Historicamente, janeiro começa com manhãs mais quentes em boa parte do estado. As temperaturas mínimas costumam ficar acima dos 20 °C no Oeste, Noroeste, Litoral e nas áreas próximas à divisa com São Paulo. Já nos Campos Gerais e no Sul, as mínimas são mais amenas, variando, em média, entre 16 °C e 18 °C. No restante do Paraná, os termômetros ao amanhecer geralmente marcam entre 18 °C e 20 °C.
As médias de temperatura também variam conforme a região. Em Foz do Iguaçu e cidades vizinhas, os valores históricos de janeiro superam os 26 °C. Em municípios próximos a Cascavel, Toledo, Maringá, Londrina, Telêmaco Borba e Francisco Beltrão, a média costuma ficar entre 22 °C e 24 °C. Outras áreas do Oeste, Norte e Noroeste apresentam médias entre 24 °C e 26 °C. Na região de Apucarana, nos Campos Gerais e na Região Metropolitana de Curitiba, com exceção da capital, as médias históricas variam de 20 °C a 22 °C. Já Curitiba, General Carneiro e Palmas registram as médias mais baixas do estado em janeiro, entre 18 °C e 20 °C.
As temperaturas máximas seguem elevadas em grande parte do Paraná. Historicamente, os termômetros ultrapassam os 30 °C no Oeste, Sudoeste, Noroeste, no norte do Litoral e em cidades que fazem divisa com São Paulo. Cascavel e municípios próximos a Pato Branco, Telêmaco Borba, parte leste da Região Metropolitana de Curitiba e o sul do Litoral costumam registrar máximas entre 28 °C e 30 °C. Nos Campos Gerais e no Sul do estado, as máximas são mais amenas, variando entre 26 °C e 28 °C.
Em relação às chuvas, janeiro é tradicionalmente um dos meses mais chuvosos do ano no Paraná. As regiões com menores volumes médios ficam próximas a Jaguariaíva e Foz do Iguaçu, com acumulados entre 100 e 125 milímetros. Na capital, no extremo Oeste e em cidades próximas a São Mateus do Sul, Pato Branco e Terra Rica, os volumes históricos variam de 125 a 150 milímetros. Os maiores acumulados são registrados no Litoral, onde a média supera os 300 milímetros no mês. Na região de Cândido de Abreu, os volumes ficam entre 225 e 300 milímetros, enquanto áreas ao redor de Maringá, Londrina, General Carneiro, Cascavel e Rio Negro costumam registrar entre 200 e 225 milímetros. No restante do estado, a média histórica varia de 175 a 200 milímetros.
Com esse cenário, janeiro de 2026 deve repetir o padrão típico do verão paranaense, combinando calor intenso, alta umidade e chuvas frequentes. A previsão reforça a importância do acompanhamento constante das condições meteorológicas, especialmente em períodos de tempestades mais intensas, comuns nesta época do ano.


