A trajetória do ferry boat que transformou Guaratuba e a expectativa pela nova Ponte de Guaratuba que promete ampliar o desenvolvimento do litoral paranaense
Conforme informação divulgada por fontes locais, muito antes da Ponte de Guaratuba ser cogitada, o ferry boat foi a solução que, há mais de 60 anos, conecta as margens da Baía de Guaratuba e impulsiona o crescimento da cidade. A primeira travessia oficial aconteceu em 1960, com a embarcação feita de madeira e comandada por João James de Oliveira Alves, o Seu Janjão, um dos protagonistas desta história.
Ele esteve à frente do ferry boat por 15 anos, testemunhando o cotidiano da cidade, desde eventos dramáticos até a rotina familiar, e hoje celebra o avanço da ponte que deve substituir a travessia lenta e limitada, refletindo o movimento crescente da região. A reportagem traz detalhes dessa trajetória, suas memórias e a relevância da obra, que está prestes a ser entregue em Guaratuba.
Na sequência, descubra essa narrativa marcante que une passado e futuro e entenda o legado deixado por esse pioneiro.
O início da travessia e os desafios enfrentados no ferry boat de Guaratuba
O ferry boat, idealizado em 1960 pelo governador Moisés Lupion, foi a primeira alternativa para conectar os veículos na Baía de Guaratuba. O barco, chamado Engenheiro Ayrton Cornelsen, possuía 27 metros de comprimento, 10 metros de largura e transportava até dez carros e um caminhão leve. Seu Janjão, natural de São Francisco do Sul (SC), foi convidado para comandar o serviço dois anos após a sua criação, no período em que o governador Ney Braga reinaugurou a travessia.
Na época, o ferry enfrentava problemas técnicos, como a entrada de água que exigiu uma manutenção minuciosa, com revestimento de cobre no casco, garantindo sua estanqueidade. Para atravessar as embarcações era necessário conhecimento profundo das condições marítimas locais, especialmente a maré e a neblina, porque ainda não havia aparelhos modernos como radares ou GPS.
Seu Janjão lembra que o barco tinha sanitário, beliche para descanso e até fogareiro para alimentação durante as longas jornadas. Em um período em que Guaratuba não tinha luz elétrica, a iluminação do ferry era crucial para as operações noturnas, que às vezes se estendiam até as 18 horas, ou mais em caso de filas.
Momentos marcantes na vida a bordo e o projeto da ponte idealizada por Seu Janjão
Entre os acontecimentos mais impactantes vividos pelo comandante está o afundamento parcial da cidade em 1968, quando casas e comércio ruíram e a população precisou ser evacuada com ajuda do ferry. Ele lembra como, numa emergência, embarcou moradores — muitos só de roupa íntima — para que fossem a locais seguros em Santa Catarina.
Em sua rotina, também passou pelas alegrias e desafios da vida familiar, como no nascimento da sétima filha, Lucimar, cuja escolha do nome seguiu a tradição familiar de incluir ‘mar’, reforçando a conexão com o mar e a navegação.
Em 2021, preocupado com o futuro da travessia, Seu Janjão elaborou um croqui da ponte projetada na Baía de Guaratuba, que ligaria o Porto da Passagem ao morro da torre da Copel, com 1.200 metros, causando mínima agressão ao meio ambiente, baseada em sua experiência da distância de travessia do ferry boat. Sua proposta influenciou o modelo da construção que atualmente está sendo finalizada.
A Ponte de Guaratuba e o legado para o futuro do litoral paranaense
Com 88% da obra executada e previsão de conclusão em abril de 2025, a Ponte de Guaratuba vai extinguir a dependência do ferry boat, oferecendo mais segurança, agilidade e integração na região. A estrutura contará com quatro faixas de tráfego, ciclovia, pontos de iluminação e passeios, representando um investimento de R$ 400 milhões em mobilidade.
Embora seu trabalho no ferry boat tenha acabado, Seu Janjão planeja continuar utilizando a ponte para ocasiões especiais, como visitas ao médico em Paranaguá, e aproveitar a vida junto da família em Caieiras, na casa que projetou com vista para a Baía que tanto navegou.
A Câmara Municipal de Guaratuba reconheceu em julho de 2024 sua dedicação com o título de Cidadão Honorário, destacando o engajamento e contribuição do comandante para a comunidade local.
O ferry boat pode ter sido a solução no passado, mas a ponte simboliza o futuro promissor de Guaratuba e do litoral do Paraná, superando desafios históricos e criando novas oportunidades de desenvolvimento para a região.

