Na última quinta-feira (15/2) marcou a história de 12 pacientes do Hospital Adauto Botelho, em Curitiba: pela primeira vez, eles foram para a praia e puderam tomar banho de mar com segurança. Os participantes são moradores da instituição, têm entre 40 e 70 anos e não possuem vínculos familiares. Muitos vivem no Adauto Botelho desde a infância.

“São pacientes com retardo mental, que não falam e que estão institucionalizados há muito tempo. Temos, dentro da instituição, um trabalho de reinserção para que eles possam sair um pouco do hospital, possam ver o mundo, estar em sociedade”, explica o diretor geral da entidade, Osvaldo Tchaikovski Júnior.

O projeto de ressocialização já levou pacientes do Adauto Botelho a museus, shoppings, para passear em parques, mas ainda não tinham conseguido levar os pacientes para a praia. “Para a equipe toda é a realização de um sonho estar aqui com os internos no Litoral do Paraná”, disse. A visita ocorreu na Praia Mansa, em Matinhos.

A enfermeira Deise Schenoveber, responsável pelo setor do hospital onde os pacientes vivem, explica que leu sobre o Projeto Praia Acessível, que disponibiliza cadeiras anfíbias para o banho de mar, e que houve uma grande mobilização para que a atividade acontecesse.

A equipe do Adauto Botelho contou com o apoio de diversas instituições, como a Secretaria de Estado da Família e Desenvolvimento Social, da Saúde, do Esporte e do Turismo, Corpo de Bombeiros e Sanepar, além de outros grupos, como os capoeiristas de Matinhos e o Quiosque do Baiano, que disponibilizaram tendas e cadeiras de praia.

“Seria impossível trazer os pacientes para a praia sem o apoio de todo esse pessoal. Foi preciso mobilizar muita gente para conseguir esse passeio”, destaca ela. Além de Osvaldo e Deise, outros 12 profissionais acompanharam os pacientes.

PROJETO – O banho de mar dos internos foi realizado com apoio de educadores ambientais da Sanepar e com o uso das cadeiras de rodas anfíbias do Praia Acessível, projeto coordenado pela Secretaria da Família e Desenvolvimento Social, em parceria com Sanepar.

“Este é o segundo ano em que os educadores ambientais da Sanepar são treinados para auxiliar no uso dessas cadeiras anfíbias, específicas para o banho de mar. Com o equipamento, pessoas com deficiência e mobilidade reduzida podem se banhar com segurança e dignidade”, explica a gestora ambiental Roselis de Oliveira Presznhuk.

As cadeiras anfíbias têm rodas especiais que permitem o deslocamento na areia e no mar. Elas possuem cinto de segurança regulável, encosto, assento, apoio cervical para a cabeça e apoio para os pés em tecido emborrachado, removível e lavável. Com capacidade para suportar até 120 quilos, são flutuantes e confeccionadas em material leve, resistente e inoxidável.

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