A cidade cresce, se desenvolve para todos os lados, regiões mudam de perfil, mas as praças continuam sendo ponto de encontro dos moradores.

Na CIC, a Praça Eli Ribeiro da Silva estava sendo pouco utilizada, até Beto Pires, como Leônidas Alberto Pires, 55 anos, é mais conhecido, e seus vizinhos resolverem “cuidar” da praça.

Beto Pires, personagem principal desta matéria e da ação de revitalização, acabou morrendo no último fim de semana. Como homenagem à pessoa querida e respeitada que era no bairro, vamos manter a publicação. O exemplo de Beto Pires deve ser conhecido e seguido por mais pessoas de Curitiba.

Segue o material original com a entrevista do morador:

Nos 47 anos que vive na CIC, Beto Pires, como Leônidas Alberto Pires, 55 anos, é mais conhecido, viveu as mudanças do bairro – tendo como vista a Praça Eli Ribeiro da Silva, onde crianças brincam no parquinho, jogam bola na quadra de areia ou basquete num espaço que também é cercado por árvores e dispõe de banquinhos.

Anos atrás, de seu posto na janela de casa Leônidas notou que o lugar estava ficando mais vazio – as tardes de domingo já não reuniam muito a molecada. Intrigados, ele e quatro vizinhos decidiram agir.

Pires lembra que a manutenção (roçada, limpeza) da área era feita, mas queriam mais.  “Nós resolvemos melhorar o acabamento de um serviço que já era feito e também contribuir para melhorar a limpeza”, conta ele. “A praça tinha um aspecto feio e abandonado.”

O quinteto começou a fazer os retoques no local, tirar lixo com regularidade (fora dos horários da limpeza pública), mostrou, enfim, cuidado com a área, que fica na mesma rua da Escola Municipal Albert Schweitzer. Coincidência ou não, as crianças começaram a voltar, diz Pires. Hoje em dia, antes e depois das aulas, o parquinho fica lotado de novo.

Morador atrai morador. “Os pais começaram a levar seus filhos para brincar à noite também”, diz Leônidas, reforçando que o local está bem iluminado e seguro.

Hoje, ele mantém o reforça da manutenção da limpeza em dia, recolhe o lixo, retira o mato que cresce na areia, cuida de algumas flores. Ações que para ele merecem atenção constante. “É trabalho de todos os dias.”

“Como cidadãos, temos deveres e responsabilidades”, diz Pires, para quem todo mundo pode dar uma ajuda para melhorar a cidade. “Ainda mais eu, que gosto tanto dessa região.”

Segundo ele, alguns moradores do bairro dizem que ele não deveria cuidar da área como faz, que está é uma obrigação do município. Ele aceita as “críticas”, mas também ouve bastante elogio pela sua atuação na praça.  “Enquanto muitas pessoas reclamam, outras fazem algo”, diz. “Eu não me importo em fazer.”


 

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