Melhor ou pior – Por Mariana Bileski

Mulheres, de modo geral, têm a tendência de se comparar, em todas as áreas. Nós – a sociedade – cria um estereótipo, um padrão, para cada conceito. Seja o corpo perfeito, o rosto impecável, o emprego dos sonhos, a família maravilhosa, a mulher maravilha. Todos referenciais impossíveis de serem alcançados. Na realidade, mulheres normais têm corpos, rostos, empregos e famílias únicas, perfeitamente imperfeitos, realizados a seu modo e regra. Mas a comparação enfraquece e desvaloriza nossas particularidades e características, produzindo uma fórmula pronta, impossível de ser moldada e totalmente superficial, justamente porque é irreal.

A comparação, de duas, uma: ou te faz sentir melhor ou te faz sentir pior. Nenhuma das opções é benéfica. A primeira gera orgulho, soberba e empina o nariz. A última, por sua vez, gera um sentimento de inferioridade, não pertencimento, de nunca ser boa o suficiente. E certamente, nesse mundo padronizado, a beleza e a moda são grandes protagonistas na criação de referenciais. Felizmente, aos poucos, parece que a sociedade está se desenvolvendo e encorajando a exaltação da unicidade e originalidade. Mas ainda é muito comum vermos – na televisão e principalmente, redes sociais – mulheres aparentemente perfeitas vivendo vidas dos sonhos. E, talvez inconscientemente, nos comparamos a elas, sempre perdendo nessa guerra de egos. Essa perda nos torna pessoas que reclamam constantemente e que são ingratas com a vida, uma vez que só veem o que não têm, ao invés de focar na graça e privilégio do que já possuem.           

Seja em padrões estéticos ou qualquer outro referencial que temos, precisamos ter nossos valores bem estipulados e firmados para que nada os abalem. Sabendo quem somos, tanto nossas incríveis qualidades como possíveis fraquezas, podemos criar um propósito de vida real e personalizado para nossa realidade. Esse fato pode ser levado em conta em qualquer assunto e na moda não é diferente. É sempre muito interessante saber o que está em alta nas passarelas, nas ruas e nas lojas, até porque a moda reflete a realidade social e histórica que vivemos. Porém, o que está na vitrine não precisa pautar o que está no nosso guarda-roupa. Ao saber o que realmente somos e gostamos, iremos fazer escolhas mais acertadas e concernentes à nossa vida. Valores reais para mulheres reais, com vidas reais!           

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