São poucos os diretores que tem a honra de poder dizer que mudaram a história do cinema. Uns com seus métodos pioneiros, outros com suas inovações tecnológicas, alguns com boas e marcantes histórias. Que tal um diretor que conseguiu realizar tudo isso, ao mesmo tempo? Há 25 anos atrás, Steven Spielberg nos mostrava pela primeira vez o mundo de Jurassic Park, que mudou uma geração, criando uma legião de fãs apaixonados que estão entre nós até hoje. Escreveu seu nome na história do cinema, para sempre.

De lá para cá, foram mais dois filmes de Jurassic Park, finalizando uma trilogia que já apresentava sinais de cansaço em seu segundo filme. Em 2015, veio um "remake" da história, misturando novos personagens, um mundo muito mais moderno, mas com o mesmo conceito de antes: o parque dos dinossauros. Dessa vez intitulado "Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros". Pela nostalgia, talento dos novos protagonistas, a nova qualidade visual e claro, pelos dinossauros, foi um bom filme e foi bem nostálgico. E é claro que quando algo é bom, sempre nos deixa ansiosos esperando por uma continuação. Mas é aí que está: será que Jurassic World conseguiria se manter em alta, sem saturar, como ocorreu a partir do segundo Jurassic Park?  

Dessa vez dirigido por J. A. Bayona (O Orfanato), Jurassic World 2: Reino Ameaçado chega aos cinemas nesta semana, cercado de expectativas. Na trama, Claire (Bryce Howard Dallas) e Owen (Chris Pratt), impulsionados por uma missão de resgate, já que os animais (mais uma vez) ficam ameaçados de extinção quando um vulcão volta a ficar ativo, voltam a Ilha Nublar para tentar salvar algumas espécies, principalmente Blue, a última de sua espécie. O diretor consegue impor seu estilo aventureiro e com toques de thriller de terror e suspense, mas fica preso a um roteiro que não foi muito bem construído.  

Talvez o principal exemplo disso seja a falta de desenvolvimento dos personagens, praticamente inexistente. A sensação que nos dá é que se passaram apenas alguns dias entre o primeiro e o segundo Jurassic World, porque os personagens não mudaram praticamente nada e pouco se falou sobre eles, não tendo nenhum arco dramático. Os produtores devem pensar que a popularidade e carisma de Chris Pratt seja o suficiente para o personagem. Por esse motivo, não há muito o que falar sobre os demais personagens, já que praticamente nenhum engrena na história e acabam se passando como "figurantes de luxo". Com exceção, talvez, da atriz mirim Isabella Sermon, que teve um destaque maior. A trama acaba sendo corrida e apressada por causa disso.  

Mas, nem só de defeitos vive "Reino Ameaçado". Eu sempre gosto de ver os dois lados da moeda (quando há os dois lados para serem analisados), flutuando tanto por seus pontos negativos, quanto seus pontos positivos. A começar pela computação gráfica, que misturado com animatrônicos, está mais real e convincente do que nunca. Essa realidade, misturado com a fotografia escura e o estilo típico do diretor, deixou o filme com um ar muito mais sombrio e assustador. Sem perder, é claro, aquele senso de nostalgia, com várias citações e conexões com os filmes antigos e até uma certeira participação de Jeff Goldblum, astro da primeira trilogia. E também nos conectamos diretamente com "Jurassic Park: O Mundo Perdido", pois novamente os dinossauros estão no território humano, e dessa vez, sem supervisão e em maior número do que a última vez, o que deixa uma boa ponta para a sequência, que já foi confirmada para 2021.  

Mas não confundam "ter uma boa ponta" para uma sequência com a "necessidade" de tê-la. Respondendo à pergunta que fiz no início desta crítica, Jurassic World já apresenta, sim, sinais de saturação. Talvez sature de vez em uma sequência, talvez não. Mas, meu lado fã não consegue ver como um caso perdido. O filme, apesar dos erros, é pura aventura e vai te prender na cadeira do início ao fim. Se você não liga tanto para esses detalhes técnicos, é muito recomendado para 2 horas e 10 minutos de entretenimento. Nos resta aguardar e torcer para que o 3º filme que está por vir, o fim da segunda trilogia, seja digno como os dinossauros e nós merecemos.  

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